Em vez disso gostava de deixar a imagem de Berlim que mais me marcou. E tenho a dizer que se há coisa em Berlim é imagens que marcam.
Hans Conrad Schumann, tinha 19 anos e estava de guarda no posto que marcava a fronteira francesa/soviética para controlar a linha divisória na rua Bernauer, feita na altura por arames farpados, porque o muro ainda não estava construido. Este foi o primeiro de 2000 soldados a atravessar a fronteira para o lado ocidental de Berlim, em Agosto de 1961, dois dias depois do início da construção do Muro. Peter Leibing é o autor da foto.
Não sei porque gostei tanto desta foto. Nem sei porque no meio de tantas imagens, e possivelmente até mais fortes, foi esta a que mais me chamou a atenção. Talvez pela expressividade clara da coragem e determinação que são precisas pra ir onde se quer, talvez pla força que é preciso pra passar fronteiras (especialmente em nós), talvez plo momento que imortaliza: o exacto momento da passagem.. em que n se está cá nem lá, em que ainda não se sente livre mas já não se sente preso, em que não se é quem se era e ainda n se é quem se vai ser. Não é passado, não é futuro... é a representação real do presente. Do "cada instante que passa". E é sempre num curto instante que tudo muda! E este é um momento que deve ter durado pouco mais de um segundo... mas afinal durou pra eternidade. Tão vivo. E há ou não há momentos assim em nós?
Por qualquer razão que eu não conheço, ou talvez por muitas que apenas não consiga explicar, esta foto pra mim tem qualquer coisa de mágica, de linda... como se me dissesse mil coisas, como se me contasse mil histórias, medos, me entregasse segredos e me confiasse sonhos... e me fizesse confiar nos meus também.

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