Saturday, February 23, 2008

Ir ou não ir... eis a questão...

Ultimamente esta é uma questão que se põe de forma especialmente evidente. E acho que o será sempre cada vez mais. Sempre que temos de escolher, em cada escolha da vida está um Ir ou um Ficar.

Ir para fora ou ficar cá? Conhecer novas culturas é bom, aprender em países que em certas áreas (na minha!) estão muito à frente do nosso é bom, conhecer pessoas completamente diferentes é bom. Costumo dizer que os meus 6 meses Erasmus foram os mais felizes da minha vida. Não sei se é justo dizer isso. Descobri foi uma felicidade intrínseca, que não depende de um espaço ou contexto, depende apenas de mim mas muito, também (tanto!), das pessoas que amo e verdadeiramente me amam. Aquelas que tiveram sempre perto de mim, tanto que me fizeram ter a ilusão de que conseguia ser perfeitamente feliz longe (e até mais, imagine-se!).

E depois há aquelas situações da vida em que decidimos que é melhor afastarmo-nos ou não de determinada(s) pessoa(s), em nome de... alguma coisa que inventamos.

Acho que um dia, quando a minha vida aqui acabar e quando chegar aquela hora em que vejo a minha vida toda a passar à frente, vou lamentar cada momento perdido. Cada momento longe de quem é realmente importante. Mas vou lamentar também cada passo não dado, cada medo a que cedi, cada espera que não soube esperar e cada momento que não soube agarrar na hora. E não quero lamentar... quero gostar. Não, não quero gostar, quero AMAR a vida que vivi. E o único momento certo para construir isso é... agora e sempre em cada agora.

Porque a vida pede de nós atitudes opostas em momentos distintos. Às vezes é preciso deixar ir, por amor, outras é preciso ficar e saber esperar. Ir nem sempre é a resposta certa e Ficar também não. A resposta certa é apenas estar, de corpo e alma, para onde quer que se vá. Estar de corpo e alma com quem se ama onde quer que se esteja. Estar permanentemente a aprender, evoluir, dar, viver... onde quer que se esteja.

E não perder um segundo. Um passeio. Um abraço. Uma foto. Um sorriso. Um olhar. Um projecto. Uma palavra. Um sentir.

No dia em que a minha vida me passar à frente para que eu me despeça dela, quero vê-la cheia das pessoas que amo, cheia de coisas aprendidas e construídas, cheia de momentos dados, partilhados, cheia de passeios e viagens mas também de almoços e jantares e lanches e tudo nas casas de sempre... Sentir que o mundo foi um espaço diferente porque eu cá estive. Sentir que a vida das pessoas foi diferente porque eu fiz parte delas. Quero sentir que "a vida inteira não chega para amar" mas que amar foi tudo o que eu passei a vida a fazer, em cada segundo que vivi. E se mais houvesse, mais o faria.

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