Tuesday, October 7, 2008

On my way



Às vezes não é fácil acreditar nos sonhos. Parecem demasiado longe, demasiado infantis e, às vezes, porque a vida ja nos magoou o suficiente para isso, parecem-nos mesmo demasiado estúpidos.

Mas se olharmos para trás podemos perceber que são possíveis. É possível ter a profissão a que se brincava aos 6 anos, é possível amar e algures eventualmente ser amado. É possível dançar nos palcos que sonhámos, é possível cantar com quem cantámos. E é possível isto tudo numa só vida e num só tempo. É possível mudar o mundo à nossa volta, onde vivemos, onde estudamos, onde trabalhamos... onde existimos!

E depois é preciso inventar novos sonhos. Constantemente. Concretizá-los e reinventá-los. E é isso que devia ser chamado: "crescer". Era mais fácil sonhar em pequenina. Tudo podia ser. A imaginação era o limite e esse limite foi atingido. Porquê o medo agora então? O medo de não fazer sentido, o medo de perder, o medo de errar. Às vezes parece que aprendemos da vida tudo menos aquilo que devemos. Dos erros aprendemos o medo, a fragilidade e a insegurança, em vez da confiança e sabedoria renovadas para fazer melhor. Das mágoas, aprendemos a esconder-nos e a defendermo-nos de viver (e como isso magoa mais) não deixando os tesouros acontecerem em vez de os valorizarmos apenas porque... podem não ser nada daquilo no fim.

E agora. Agora é preciso caminhar. Sentir com o coração e perceber nele o que a cabeça realmente aprendeu. Não entra o medo, não entra a mágoa, não entra o desespero. Entra a certeza de uma vontade renovada. De um sonho dia-a-dia vivido. De uma vida entregue, dada, sentida... vivida. Agora é preciso parar, um pouco de paz, de coração e alma cheios, caminhar dentro de nós, descobrirmos o que somos e para onde vamos. Quem seremos e onde iremos. E depois então ir. Caminhar na vida sem medos, sem amarras, sem tristezas ou ressentimentos. Apenas com um sorriso que espelhe a nossa paz.

É tempo de olharmos para quem somos e sempre fomos, não perdermos a inocência, a genuinidade e a fé de antes só porque sofremos, porque não foi a inocência, nem a genuinidade, nem a fé que nos magoaram, foi a falta delas nalguma coisa ou em alguém. É tempo de deixarmos o coração voltar a brilhar e espreitar o mundo num olhar, como uma estrela. E ousarmos agarrar nela e escrevermos o nosso nome no céu, sem medo que ele caia de lá.


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