Thursday, June 4, 2009

A viagem

Às vezes há momentos da nossa vida que pura e simplesmente nos fascinam. Às vezes esses momentos aparecem vindos do nada, onde não tinhamos nenhuma expectativa especial, quando até fomos ali parar por acaso. E então, partilha-se um momento e outro e outro e passo a passo começamos a aperceber-nos do quanto gostamos de estar ali, de ir para ali, do quanto nos divertimos juntos. Mas ainda assim... é quando chegam os momentos finais que a verdadeira transformação acontece: nas nossas personagens e em nós. Depois de 3 meses, foi especialmente naqueles 5 últimos dias que começámos a perceber que as personagens tinham já ganho vida própria e o quanto nós adorávamos o facto de nos rirmos juntos, de brincarmos juntos, de parilharmos as nossas vidas que no real são tão diferentes e sobretudo descobrir uns nos outros aquilo que é às vezes tão raro de encontrar: a capacidade de rir. Rir de nós, uns dos outros, de todos juntos. Rir sempre. Brincar sem medo de já não ter idade para isso. Porque não há idade, nem posto. Ali fomos (somos) todos um monte de miúdos que pura e simplesmente se diverte. E foi isso que nos tornou especiais. Foi por isso que as coreografias brilharam, os efeitos sobressairam e as interpretações se sentiram... porque durante cada treino, depois de todas as orientações a palavra de ordem era “divirtam-se a fazer isto”! E então em vez de stress e pressão, todo o espectáculo foi puro prazer (as borboletas na barriga e a adrenalina sim, estiveram lá sempre, mas essas fazem parte e também sabem bem;)). E por isso foi espontâneo e genuíno em nós e foi por isso também que cada passo e movimento saiam naturalmente bem. Não estávamos a fingir que sentiamos e muito menos que adorávamos estar ali. Não era preciso.


Sentir todas estas coisas foi como viajar de facto a um mundo mágico. O mundo que construimos juntos nestes meses mas especialmente nestes dias. Um mundo a que normalmente deixamos de ir quando crescemos apenas porque o mundo à nossa volta o faz, uma terra do faz de conta (uma terra do nunca, uma neverland!) onde sem grandes preocupações nos podemos apenas voltar a rir como se tivessemos 5 anos. Mesmo quando à nossa frente está um público exigente a satisfazer. Precisamente porque começamos a perceber que é essa leveza, espontâneadade e divertimento puros que nos fazem chegar a ele (público) tão bem.


E no fim de tudo, quando tudo acaba, sorrir com aquele sorriso que nos enche por dentro e que não conseguimos explicar a ninguém muito bem.. e que nos faz ter saudades até do cansaço e do esforço mas que nos faz também saber que nada acabou, a nossa viagem juntos (espera-se!) ainda agora começou;)


Acho que é por isso que sempre que nos despedimos dizemos.. Até amanhã!

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