Wednesday, July 22, 2009

Majune - a vida pode ser outra


Não sei se foi o pozinho das estrelas que todos os dias deitávamos uns sobre os outros tornando-nos ainda mais únicos e especiais, não sei se foi o por do sol mágico que partilhámos ou o sol que pusémos ao pescoço uns dos outros e que hoje não consegui tirar... ou se foi apenas a forma como o fizémos. Não sei se foi o "nunca pensei que conseguissemos" quando no jogo das trocas conseguiram trocar no meio da vila um simples rebuçado por estojos, arranjos de flor, latas de sumos, taças, peças de artesanato e (sim!) até um strogonoff!... sem perceberem que o valor que ía aumentando era apenas o do sorriso deles a quem (quase) ninguém era capaz de dizer não. Não sei se foi a coragem para não chorar quando era tão difícil resistir às saudades. Não sei se foi a força com que cantávamos juntos ou a simplicidade com que rezávamos. Não sei se foram as cartas escritas a Deus que nós não vimos e que daqui a uns meses lhes chegarão a casa. ou aquelas (tantas!) que quiseram trocar uns com os outros. Não sei se foi o almoço dos continentes onde todos sentiram e aprenderam muita coisa mas acima de tudo aprenderam que às vezes é da pobreza de um coração despreocupado e de quem materialmente pouco tem que.. sai a maior alegria e união. Não sei se foi a amizade profunda e preocupação dos maiores com os pequeninos e a dos pequeninos com os maiores. Não sei se foi o espírito de partilha, de entrega ou de serviço. Não sei se foi a confiança nas conversas que nos procuravam para ter ou a amizade do senhor Henrique com o Lourenço e com todos nós. Não sei se foi o puro divertimento da dança do king kong, da conga, do pónei e da banana, dos bailaricos e do bang e... daquele arraial fantástico.. Não sei se foi de sermos tão diferentes na vida e ali.. todos tão iguais...

Não sei mesmo qual foi o meu momento feliz. Não sei escolher aquele que me faz sentir estas saudades de cada um e daquilo que somos todos juntos.

Mas sei que hoje o nosso sol continuou posto em mim. Sei que a nossa busca pelo que é essencial tornou o meu dia melhor a cada segundo. Sei que esse nosso sentido viverá sempre em mim.

E sei que "nada nos separará". Sei que aprendemos como nunca "O que faz andar em frente", que "a vida é uma aventura" e que somos "mais valentes" do que pensávamos. Sei que juntos vamos "onde Deus nos levar". Sei o quanto adoramos "contar as estrelas do Céu" juntos. Sei que descobrimos que "se o grão de trigo não morrer na terra é impossível que nasça fruto". Sei que "deixámos a luz do céu entrar" e que "Deus veio viver em nós" um bocadinho mais em cada momento desses e que "essa luz pequenina" vai sempre brilhar na nossa vida.

E sei sobretudo que " a vida inteira não chega para amar". Para vos amar a vocês também.

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